Inflama! 4º Acampamento da Juventude

Nos dias 14, 15 e 16 de agosto de 2026, a Casa de Retiros Nossa Senhora do Amparo, na Colônia Marcelino, acolheu o 4º Acampamento da Juventude Ucraniana, que reuniu jovens para três dias de oração, formação, convivência e espiritualidade, que foram profundamente marcados pela fé, convivência e missão. Com o tema “Inflama”, o encontro propôs uma experiência de aprofundamento da fé e de reflexão sobre os desafios que marcam a vida das novas gerações.

Mais do que uma programação de atividades, o acampamento foi organizado como um itinerário espiritual. Ao longo dos três dias, os participantes foram convidados a reconhecer aquilo que pode enfraquecer a vida interior, redescobrir a ação do Espírito Santo, experimentar a misericórdia de Deus e compreender que a fé precisa transformar-se em perseverança, testemunho e missão. A palestrante principal, Kamilla Aparecida Batistelli, conduziu importantes momentos de formação. A música e a animação ficaram a cargo de Maria Angélica Pirovaski Marcelino, Vinicius Gonzaga Domingues, Henrique Colturato da Cruz, Renan Castilho Andrade da Silva, Leonardo Arthur Cardoso Taurinho e Rhaissa Fielkoski Nadolny, que acompanharam os diversos momentos de oração e convivência.

Também marcou o encontro a presença constante do Arcebispo Metropolita Dom Volodemer Koubetch, que acompanhou a programação durante os três dias. Sua participação não se limitou aos momentos celebrativos: Dom Volodemer esteve próximo dos jovens nas atividades, na convivência e participou, inclusive, da caminhada realizada na Serra, no sábado. Sua presença expressou a proximidade do pastor que não apenas dirige uma palavra à juventude, mas se dispõe a caminhar com ela.

A programação teve início na sexta-feira, dia 14, com a acolhida dos participantes pela equipe da Pastoral da Juventude, seguida da entrega das camisetas e dos kits e, posteriormente, do jantar. À noite, a abertura apresentou uma das experiências mais impactantes do acampamento. Antes de chegarem à sala da primeira reflexão, os jovens atravessaram um corredor escuro e de atmosfera propositalmente tenebrosa. Logo no início do percurso, depararam-se com um caixão. O símbolo não tinha como objetivo simplesmente causar medo, mas provocar uma pergunta fundamental: para onde nossas escolhas estão conduzindo a nossa vida? O caixão remetia não apenas à morte física, mas também às tantas formas de morte interior que podem atingir o ser humano: quando a esperança se apaga, os sonhos são abandonados, a dignidade é ferida, a liberdade se transforma em dependência, os relacionamentos são destruídos e a presença de Deus vai perdendo espaço. O corredor escuro, por sua vez, simbolizava os caminhos que podem gradativamente afastar a pessoa da luz, muitas vezes por meio de pequenas escolhas que, repetidas, passam a determinar a direção da existência.

Tendo atravessado esse percurso, os participantes entraram na sala onde aconteceriam as reflexões. Ali encontraram um painel que apresentava situações como pornografia, vícios e outras formas de escravidão humana. A proposta não era condenar, mas despertar a consciência e o discernimento diante de realidades que podem se apresentar como liberdade ou prazer e, com o tempo, transformar-se em aprisionamento e vazio. A primeira reflexão abordou a decisão e a superação da mornidão, convidando cada participante a perceber que a fé não pode permanecer apenas como herança familiar, costume ou prática exterior. Em algum momento, aquilo que foi recebido precisa tornar-se escolha pessoal. A pergunta deixada naquela primeira noite era direta: o que hoje pode estar apagando o fogo de Deus dentro de mim?

Depois do intervalo, a mudança do ambiente também comunicava uma mensagem. A sala, antes marcada pela atmosfera de escuridão, estava agora iluminada. Era a passagem simbólica das trevas para a luz, recordando que a experiência cristã não termina na constatação das fragilidades humanas, mas aponta para a possibilidade de conversão e vida nova. Nesse contexto, foram apresentados de maneira prática os dons do Espírito Santo, aproximando-os das escolhas cotidianas. A noite prosseguiu com a reflexão sobre a presença e a ação do Espírito, ressaltando que Deus não apenas revela aquilo que precisa ser transformado, mas concede a graça necessária para iluminar, fortalecer e conduzir.

No sábado, as atividades começaram às 7 horas, com a oração da manhã na capela, conduzida pelo Pe. Samoel Hupolo – Coordenador da Pastoral da Juventude e Pároco da Paróquia Sant’Ana no Pinheirinho, Curitiba. Após o café, os jovens retomaram as formações e participaram da dinâmica das velas e do fogo. Cada participante recebeu uma vela acesa, representando a fé e a presença de Deus. Em determinado momento, as chamas foram apagadas, simbolizando ambientes, influências e escolhas que enfraquecem aquilo que existe de mais precioso no coração. Quando as velas foram reacendidas, a dinâmica se transformou numa mensagem de esperança: aquilo que se apagou pode voltar a arder. Quem caiu pode levantar-se; quem se afastou pode retornar; quem perdeu o entusiasmo pode recomeçar. A experiência introduziu a reflexão sobre a purificação e constância, mostrando que a fé não pode depender apenas de momentos de emoção, mas precisa sobreviver à rotina e traduzir-se em escolhas concretas.

Ainda pela manhã, houve continuidade das reflexões e ensaio do “flash mob”. Depois do almoço, os participantes se prepararam para a saída à Serra, onde permaneceram durante a tarde em momentos de caminhada, convivência e contemplação. A atividade contou também com a participação do Metropolita, que percorreu o caminho junto com os jovens. Em meio à natureza, a caminhada proporcionou uma experiência de fraternidade e silêncio, oferecendo uma pausa diante de um cotidiano frequentemente marcado pelo excesso de telas, informações e estímulos. A própria subida tornou-se imagem da vida: há esforço, cansaço e obstáculos, mas também existem horizontes que somente se revelam a quem persevera no caminho.

No retorno à Casa de Retiros Nossa Senhora do Amparo, os participantes tiveram a oportunidade de celebrar o Sacramento da Reconciliação, no momento das confissões. Depois das reflexões realizadas durante o dia, a experiência do perdão tornou concreto o convite ao recomeço e à misericórdia. Na sequência, foi servido o jantar e, às 20h30, aconteceu a Adoração ao Santíssimo Sacramento, um dos momentos mais intensos de oração do encontro. Diante de Cristo, cada participante foi convidado a apresentar sua história, suas lutas, escolhas, feridas e esperanças. O sábado prosseguiu em clima de fraternidade com o luau, que reuniu espiritualidade, música, alegria e convivência.

O domingo começou às 7h, novamente com a oração da manhã e, em seguida, o café da manhã. Às 8h30, a palestrante Kamill fez a última reflexão, que foi sobre “Envio e anúncio”, preparando os jovens para o retorno às suas realidades. A mensagem era clara: uma experiência de fé não pode permanecer restrita aos dias de um acampamento. Quem encontra Cristo é chamado a testemunhá-lo na família, nos estudos, no trabalho, entre os amigos, na comunidade e nos demais espaços da vida.

Às 10 horas, todos se reuniram para a Divina Liturgia, presidida pelo Arcebispo Metropolita. A celebração tornou-se um dos pontos culminantes dos três dias. Em sua homilia, Dom Volodemer dirigiu uma mensagem especialmente forte aos jovens, retomando o coração de toda a proposta: não deixar apagar o fogo do Espírito Santo. A imagem recorda a exortação de São Paulo: “Não extingais o Espírito”. O Arcebispo destacou que o grande desafio começaria justamente após o encerramento, quando cada participante retornasse à rotina, às dificuldades e às escolhas de todos os dias. Manter a chama acesa significa cultivar a oração, a Palavra de Deus, a participação na Divina Liturgia, a vida sacramental, a comunhão com a Igreja e a coerência entre fé e vida. A mensagem reforçou que os três dias não deveriam permanecer apenas como uma boa lembrança, mas produzir frutos concretos de perseverança e compromisso cristão.

Após a celebração, o “flash mob” foi realizado e filmado em frente à igreja e expressou a alegria e a comunhão construídas durante o encontro. Antes do almoço, já no hall de entrada da Casa Nossa Senhora do Amparo, aconteceu a oração de envio, conduzida pelo Pe. Samoel, juntamente com os membros da Pastoral da Juventude. O envio deu sentido ao encerramento: ninguém estava simplesmente voltando para casa; cada participante era chamado a retornar à própria realidade com uma missão. O caminho vivido desde a sexta-feira encontrava ali sua síntese: da escuridão para a luz, do mornidão para a decisão, da chama apagada para o reacendimento, da misericórdia para o recomeço e do encontro para a missão.

Ao término do acampamento, ficou também um profundo sentimento de gratidão. Um agradecimento especial é dirigido à Casa de Retiros Nossa Senhora do Amparo, na Colônia Marcelino, e ao Pe. Neomir Doopiat Gasperin, responsável pela casa, pela acolhida e pela abertura das portas para que encontros como este possam continuar sendo realizados. O reconhecimento se estendeu às equipes de organização e a todas as pessoas que trabalharam nos bastidores. Àqueles que trabalharam na ornamentação, prepararam e serviram os alimentos, lavaram a louça, cuidaram da limpeza e dos espaços, organizaram materiais e ambientes, trabalharam na acolhida, animação, música, liturgia e logística, fica registrada a gratidão por um serviço muitas vezes silencioso, mas indispensável. Da mesma forma, o agradecimento alcança as famílias, as comunidades, os voluntários, colaboradores e benfeitores que doaram alimentos e materiais. Cada contribuição, grande ou pequena, ajudou a tornar possível o encontro. É também dessa maneira que a Igreja realiza sua missão: muitas mãos, diferentes serviços e uma mesma disposição de servir.

A programação terminou e cada participante retornou à sua realidade. Mas permanece o compromisso que acompanhou os três dias e que agora deverá continuar sendo vivido: “Não deixeis apagar o fogo do Espírito Santo!”

Texto: Equipe da Pastoral da Juventude

Fotos: Thaicia Nogas