Atividades especiais dos bispos durante o Sínodo

1. Retiro espiritual

Realizou-se no dia 4 de julho um dia de renovação espiritual para os bispos, conduzido pelo Diretor Espiritual do Sínodo deste ano, o Hieromonge Sava Masnyk, da Ordem Estudita, abade do Mosteiro São Miguel em Lviv. Ele é psicólogo de profissão e Vice-diretor do Escritório de Proteção de Menores e Pessoas Vulneráveis ​​da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Conduz retiros e cursos de formação, em particular para comunidades religiosas.

Pe. Sava proferiu homilias diárias a partir do Evangelho do dia e para o retiro espiritual preparou três colocações: Seguindo Cristo rumo ao desconhecido, A humildade da conversão e Deus é misericordioso para com as fraquezas humanas.

O tema central deste Sínodo foi a vocação. O Pe. Sava enfatizou que na Igreja existem diversas abordagens e ritmos entre as comunidades e seminários, bem como dificuldades de convivência com a geração mais jovem. Em sua opinião, é importante aprender a enxergar o jovem com suas dores, expectativas e ideais, e zelar para que as diferenças culturais não substituam o chamado de Deus. Ao mesmo tempo, é necessário saber apontar, com sinceridade, o que precisa mudar para que a pessoa possa crescer. O pregador considera importante, mas apenas um primeiro passo, a inclusão do tema das vocações neste Sínodo. Ele espera que haja uma continuação da discussão sobre obediência, pobreza e outros princípios da vocação à vida consagrada nas comunidades.

2. Oração pelos bispos falecidos

No dia 4 de julho, após a Divina Liturgia na igreja Nossa Senhora de Zarvanytsia, sob a presidência do Arcebispo Maior Dom Sviatoslav, os bispos rezaram a Panakhyda pelos bispos falecidos, lembrando principalmente os falecidos nos últimos anos.

“Hoje recordamos os bispos falecidos. E nesta história, nesses nomes e pessoas, vemos a misericórdia de Deus para conosco e para a nossa Igreja. Olhamos para essas figuras ilustres para que, em nossas orações aos nossos bispos, a eles e por eles, possamos adquirir o dom da misericórdia, a capacidade de dar o primeiro passo de misericórdia, como o próprio Senhor Deus faz em relação a nós. E, finalmente, para que possamos ser os continuadores dessa graça recebida e, assim, crescer em unidade com Ele”, disse em sua homilia o Hieromonge Sava Masnyk, Diretor Espiritual do Sínodo.

Uma novidade da oração pelos bispos falecidos foi a introdução do livreto “Memória dos Bispos”. Trata-se de uma longa lista que menciona os metropolitas de Kiev de 988 a 1596, os bispos de 1596 a 1900, os bispos greco-católicos do século XX, incluindo o período clandestino da Igreja Greco-Católica Ucraniana, bem como os hierarcas de 1989 a 2000 e de 2000 até o presente. Essa lista começa com o primeiro metropolita de Kiev, Teofilact, e termina com Dom Petro Stasiuk, Bispo da Eparquia de Melbourne dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, que faleceu em 13 de agosto de 2025 em Winnipeg.

 3. Gólgota – peça teatral sobre o testemunho do Patriarca Slipyi

No dia 4 de julho, os bispos visitaram o Teatro Taras Shevchenko em Ternopilh, onde assistiram à peça teatral “Gólgota – o Mistério da Desobediência’, dedicado ao 130º aniversário do nascimento do Patriarca Yosyf Slipyi. A peça foi encenada por Oleg Mosiychuk, que é o autor da versão dramática e o diretor. De acordo com o Diretor Teatral, Boris Repka, a estreia desta ocorreu há 4 anos e durante esse período foi apresentada mais de 45 vezes com lotação esgotada.

“Gólgota” conta a história da vida do Patriarca Joseph Slipyi, um dos mais proeminentes confessores da fé do século XX. Após 18 anos em campos de concentração soviéticos, ele não renunciou à sua vocação, mas continuou a luta pela liberdade da Igreja e do povo ucraniano, tornando-se um símbolo da inquebrantável fidelidade à fé cristã da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Por meio da história do grande Patriarca, o espectador descobre o destino dramático da Igreja Católica Ucraniana após a Segunda Guerra Mundial e a firmeza das pessoas que preservaram sua fé mesmo nos momentos mais sombrios.

Após a encenação, longamente aplaudida, o Arcebispo Metropolita de Ternopilh-Zboriv, Theodor Martyniuk, dirigiu-se aos presentes. “O Patriarca José, em sua pessoa, reflete seu povo. Essa sua firmeza estava enraizada na fé em Deus. Portanto, a encenação de ‘Gólgota’, em suas múltiplas dimensões, retrata o povo ucraniano, que fundamenta sua firmeza em Deus”, disse o Metropolita.

Após a apresentação, o Metropolita Theodor Martyniuk, juntamente com o Bispo Auxiliar da Arquieparquia de Ternopill-Zboriv, ​​Dom Volodemer Firman, presenteou o elenco com uma réplica do milagroso Ícone da Mãe de Deus de Zarvanytsia.

A apresentação da peça “Gólgota” tornou-se não apenas um evento cultural no programa do Sínodo, mas também uma profunda experiência espiritual que uniu a memória de um dos líderes mais proeminentes da Igreja Greco-Católica Ucraniana à compreensão da luta contemporânea do povo ucraniano por liberdade, dignidade e o direito de viver em seu próprio País.

4. Celebrações nas paróquias

No domingo, dia 5 de julho, os bispos celebraram em diversas paróquias da região de Ternopilh. Em cada comunidade, diferentes palavras foram proferidas, mas todas estavam unidas por um pensamento: somente Cristo é a fonte de força que ajuda a suportar as provações da guerra. As visitas pastorais dos bispos do Sínodo tornaram-se uma continuação viva do trabalho sinodal. Após dias de reflexão conjunta sobre o futuro da Igreja, os bispos foram às paróquias para estar com o povo, compartilhar suas orações, confortá-los com uma palavra de esperança e, mais uma vez, testemunhar a unidade da Igreja Greco-Católica Ucraniana global – do Brasil e Canadá à Austrália, França, Alemanha e sua Ucrânia natal. Assim, o Sínodo prosseguiu não apenas na sala sinodal, mas também em comunhão viva com o povo de Deus.

Dom Meron celebrou na histórica Paróquia Assunção de Nossa Senhora, em Ternopilh, onde os parentes de Dom Efraim Krevey o recepcionaram com pão e sal.

Dom Volodemer celebrou na histórica Paróquia Santíssima Trindade, em Zarvanytsia, onde se encontra o ícone original da Mãe de Deus de Zarvanytsia. Ele presidiu a Divina Liturgia. Concelebraram dois Bispos: Dom Volodemer Firman, Bispo Auxiliar da Arquieparquia de Ternopilh-Zboriv e Administrador do complexo mariano de Zarvanytsia, e Dom Vasylyi Ivaciuk, Eparca de Kolomyiv, que proferiu a homilia; e dois padres: o Pároco Volodemer Toporovskyi e o Vigário Paroquial Taras Vinnytskyi. O Pe. Januariy Twerdun estava atendendo confissões.

Nos tempos do comunismo soviético, a igreja servia como depósito de cereais. Atualmente, está sendo restaurada.

Foi belo o encontro com a Sra. Ana, mãe de Dom Firman, e a Sra. Nadia, sua irmã.

Às 17h, no Cemitério de Mykulynetsk, Rua Mykulynetska, 27-29, em Ternopilh, Dom Volodemer participou e, a pedido do Metropolita Theodor, presidiu a Panakhyda pelos soldados falecidos na guerra de agressão russa. Os falecidos soldados são considerados defensores da Ucrânia, que morreram pela liberdade, e como verdadeiros heróis. Dom Ivaciuk dirigiu-se aos parentes dos soldados mortos em combate, animando-os para a firmeza na fé e na continuação da vida, mesmo que extremamente sofrida, dando-lhes a esperança de que, pela fé, é possível “carregar essa cruz”, e que um dia teremos a Ucrânia livre, soberana, próspera e feliz.

Setores especiais de sepulturas honorárias foram criados no cemitério para os militares ucranianos – a Alameda dos Heróis. Cerimônias memoriais são realizadas regularmente no cemitério em memória dos falecidos, e as autoridades municipais estão equipando o local como um espaço memorial único. A Arquieparquia de Ternopilh-Zboriv celebra aí a Panakhyda todo primeiro domingo do mês.

Essas celebrações têm a finalidade de preservar a memória dos defensores caídos, expressar gratidão por seu feito e apoiar as famílias que perderam seus entes queridos na luta pela liberdade da Ucrânia. Segundo as autoridades responsáveis pela iniciativa, “cada cerimônia em memória dos falecidos é mais uma oportunidade para inclinarmos nossas cabeças diante daqueles que mais deram pelo nosso país. Lembramos de cada cidadão que não retornou da guerra e compreendemos que é graças ao seu sacrifício que a Ucrânia continua lutando. Nosso dever é preservar essa memória, estar perto das famílias dos que tombaram e demonstrar com nossas ações que seu feito jamais será esquecido”.