Ação de graças pelos 60 anos da Festa do Trigo

A recém-criada Paróquia Santíssima Trindade da Colônia Marcelino, Município de São José dos Pinhais, trabalhando intensamente por mais de uma semana, providenciou uma celebração muito especial para comemorar os 60 Anos da Festa do Trigo. Isso aconteceu no domingo, dia 25 de janeiro de 2026. Desde os primeiros anos, a Festa do Trigo é uma das maiores e mais tradicionais festas da região, atraindo milhares de pessoas. A presente matéria apresenta um breve histórico da Festa do Trigo e descreve a celebração de sua 60ª edição.

História da Festa do Trigo

A Colônia Marcelino foi povoada pelos imigrantes ucranianos da leva de 1896. Mais precisamente, pelos sobreviventes da tragédia ocorrida com a comunidade ucraniana da Serra de Castelhanos – Santos Andrade – Local de Osso das Antas, onde dezenas de imigrantes faleceram, vítimas do tifo.

Desde que este povo se estabeleceu nas terras do Coronel Marcelino José Nogueira, hoje Colônia Marcelino, a batalha pela sobrevivência continuou e se fez a instalação do seu mundo religioso e cultural trazido da Ucrânia. Imediatamente, foi construída sua primeira igreja e os traços da Colônia Marcelino começaram a ser delineados.

A idealização da festa do trigo já começou no final de 1964, com pessoas falando sobre a necessidade de realizar uma festa em agradecimento a Deus pelas boas colheitas de trigo. Em 1966, o líder da comunidade era o Sr. Miguel Ivanski, o qual, como presidente da Comissão Administrativa, juntamente com o Pe. Tarás Oliynek, OSBM, convidou as pessoas para uma reunião e decidiram realizar a festa. Os trabalhos de preparação começaram. O Pe. Tarás, as Irmãs Servas de Maria Imaculada e o Sr. Miguel deram as instruções para a comunidade. As Irmãs Nazária e Tarcísia passaram para a comunidade as tarefas para os preparativos. Aos homens coube a tarefa de matar o boi e leitão, preparar os espetos para assar o churrasco e cuidar da limpeza do pátio.

De acordo com Pedrinho Alves da Rocha, seu pai Francisco Alves da Rocha era o responsável em serrar manualmente a carne para o churrasco. Os ajudantes eram os senhores Antônio Barão e Demétrio Nogas. No sábado, às três horas da madrugada, começavam a serrar as carnes e terminavam perto do meio dia. Em seguida, levavam tudo para o tempero. O Sr. Francisco coordenou o serviço de preparar as carnes na gestão de todos os demais presidentes das Comissões Administrativas. Na gestão do Presidente André Starepravo, no último ano do seu mandado, o Sr. Francisco Alves da Rocha faleceu bem no dia da Festa do Trigo.

Para as mulheres, cabia a tarefa de ajudar as irmãs na confecção dos bolos, sonhos, pasteis e da tradicional kuthia, temperado só com mel e mak-semente de papoula.

De acordo com o relato de Lúcia Haliski Werniski, para a primeira Festa do Trigo, os homens tinham matado só um boi, pois estava chovendo muito na sexta-feira e no sábado. Os homens começaram a ficar preocupados, pois a comunidade já tinha preparado muitas coisas. Porém, no sábado à tarde, o tempo melhorou e o Sr. Ivanski chamou mais alguns homens e foram matar mais um boi, pois acharam que tinham pouco churrasco. Trabalharam com a matança do boi a noite toda. Preparam tudo para o grande dia da festa.

No domingo da festa, logo cedo, o povo começou a chegar para a Divina Liturgia, que foi presidida pelo Pe. Tarás. A igreja ficou lotada de fiéis, que tiveram que sair fora para fazer a bênção do trigo, das flores e velas. Após a Missa, começou a festa. A comunidade recepcionou os fiéis de Curitiba, que vieram de ônibus e chegaram atrasados, porque o ônibus encalhou na precária estrada de terra. Os festeiros de Curitiba chegaram sujos de lama, mas muito animados. Começou o almoço e os festejos com roleta e leilão, muita música com os senhores Alexandre Krefer, João Baran e Demétrio Ivankio nos violinos, o Sr. Gregório Barão no bumbo e outros instrumentos.

Assim, a Comunidade da Colônia Marcelino passou um dia bonito e abençoado por Deus. Bastante gente! Tudo o que foi preparado foi vendido, e o lucro foi grande.

Desde o início, os ucranianos lutaram incansavelmente para ter em suas mesas o pão de cada dia. Para ter o pão, era preciso cultivar o trigo. A maioria dos imigrantes e seus filhos cultivavam o trigo. Hoje, a comunidade cultiva em menor escala, mas o trigo ainda se move suavemente com o vento na Colônia Marcelino. O trigo é para seus moradores o símbolo da resiliência e adaptação de seus antepassados e do povo a esta terra abençoada.

Celebração dos 60 Anos da Festa do Trigo

Às 09h30, tendo se paramentado na secretaria da catequese, subsolo da igreja, sob o repicar dos sinos, entoando cantos natalinos, os celebrantes saíram em procissão até o hall de entrada do majestoso templo consagrado à Santíssima Trindade. O Sr. Laertes Cardoso cumprimentou o Arcebispo Metropolita Dom Volodemer Koubetch e apresentou a história da Festa do Trigo. Ele concluiu falando sobre o significado dessa festividade para a comunidade paroquial: “O trigo é para nós o símbolo da resiliência e adaptação dos nossos antepassados e do povo desta terra. Nesta 60ª Festa do Trigo, celebramos não apenas a colheita das sementes ou as plantações, mas também as bênçãos que recebemos de Deus nestes 60 anos. É um momento de gratidão a Deus. Reconhecemos que tudo o que temos é um presente divino e Deus tem se mostrado muito generoso conosco. Que possamos, assim como o trigo, que ao ser semeado produz frutos, ser agentes de transformação, semeando o amor de Cristo, a esperança e a paz no mundo”.

Com o pão e sal, o Coordenador do Conselho Administrativo Paroquial Pedro Walmor Nogas e sua Esposa Tatiane Lourdes Nogas saudaram o Metropolita.

Tomando a palavra, o Pároco Neomir Doopiat Gasperin fez a acolhida de todos os presentes. Dirigindo-se especialmente ao Metropolita, ele disse: “Comemorar estes 60 anos da Festa do Trigo não é celebrar apenas 60 edições da festa, é celebrar rendendo graças a Deus por estas festas serem símbolo de união, de fraternidade, de serviço e sinodalidade. Graças a Deus, somos uma Paróquia sinodal, onde o povo caminha, reza e trabalha unido”. O Pároco Neomir relatou que a preparação da festa foi muito trabalhosa e trouxe preocupação e até dores de cabeça, mas tudo aconteceu em clima de união e alegria. Sendo uma expressão viva da sinodalidade que a Igreja pede, o evento reuniu o pessoal da Matriz e todas as comunidades pertencentes à Paróquia.

A Solene Divina Liturgia Pontifical foi presidida pelo Arcebispo Metropolita e concelebrada pelos Padres Antônio Zubek, OSBM – Superior Provincial, Pe. Teodoro Hanicz, OSBM – Diretor Acadêmico da FASBAM – Faculdade São Basílio Magno, Pe. Domingos Starepravo, OSBM – Diretor Espiritual da mesma Faculdade, Pe. Neomir Doopiat Gasperin – Pároco local. O Diácono João Basniak prestou seus serviços litúrgicos. Os Seminaristas do Seminário Maior São Josafat de Curitiba serviram como acólitos.

Entre as autoridades civis, a celebração contou com a presença da Prefeita Nina Singer.

O canto litúrgico ficou por conta do Coral São Josafat de Prudentópolis, sob a regência de Jonas Chupel, substituindo a querida maestrina Ir. Celina Sloboda, SMI, que, inesperada e precocemente partiu para a eternidade, deixando inúmeras boas obras na pastoral e na cultura ucraniana, muitas boas lembranças e muitas saudades.

Antes de fazer uma reflexão sobre os textos bíblicos do Domingo do Publicano e Fariseu, Dom Volodemer cumprimentou as autoridades eclesiásticas e civis e todo o povo de Deus e se dirigiu especialmente aos cantores do Coral São Josafat da Paróquia homônima de Prudentópolis, transmitindo-lhes seus sentimentos “pela perda irreparável” da Ir. Celina, que há muitos anos estava à frente do histórico coral. Confortando-os, ele disse que a presença deles na celebração era a presença da falecida maestrina. Refletindo sobre a parábola, Dom Volodemer fez uma análise comparativa dos dois personagens e orientou os fiéis a deixarem o orgulho e outras atitudes negativas do fariseu e a cultivarem as belas atitudes do publicano, porque: conforme Santa Teresa de Jesus, “a humildade nada mais é do que a caminhada para a verdade”; e segundo um autor “a humildade é o altar sobre o qual quer Deus lhe ofereçamos os nossos sacrifícios”.

A TvWeb Studio W, operada pelos membros da Família Wladyka, vinda de Mallet, fizeram a transmissão completa.

Ao final da celebração, com uma entoação do Mnohaia lita especialmente dedicada aos festeiros visitantes, com destaque ao Coral São Josafat, e outro dedicado à Paróquia Santíssima Trindade, anfitriã da histórica festividade, o Pároco Neomir fez seus agradecimentos. Motivando essas entoações, o Metropolita augurou às duas entidades que continuem por muitas décadas: o Coral com a herança da Ir. Celina e de outros maestros e cantores; e a Paróquia com a tradicional Festa do Trigo, uma riqueza com valores religiosos, culturais e culinários. Em seguida, juntamente com os sacerdotes, ele fez a bênção dos cachos de trigo e do korovai, que foram apresentados pelos catequizandos e dançarinos do Grupo Folclórico Ucraniano Soloveiko, belamente trajados com a indumentária ucraniana.

O almoço festivo foi servido no enorme salão paroquial e os festeiros puderam assistir à bela e animada apresentação do grupo musical “As Bossi & Luiz Fernando”, composto por Luiz Fernando Pereira, cantor e tecladista, e as irmãs Marli Isabel Bossi, Márcia Bossi, Rafaela Bossi. Este elenco é de Santa Terezinha, Santa Catarina, e é recente, atuando desde 2025, mas as irmãs Bossi cantam desde a infância. Durante muitos anos elas atuaram profissionalmente numa banda chamada Eclipse Cia Show. Após a pandemia, deram início a uma nova fase, dedicada especialmente à música e à cultura ucraniana. Marli define o estilo das apresentações do grupo da seguinte maneira: “Nosso estilo pode ser qualificado como Folk Contemporâneo Ucraniano – uma fusão entre o folclore tradicional e releituras modernas, preservando a tradição e a herança cultural, mantendo viva a alma do povo com energia atual de palco”. Sendo assim, em seu no repertório são interpretadas canções folclóricas ucranianas tradicionais, bem como adaptações de músicas conhecidas e versões com paródias em ucraniano. “Nosso propósito é valorizar e transmitir a душа народу – a alma do povo, fortalecendo a identidade, a fé e a alegria por meio da música”, conclui Marli.

Após o show do grupo “As Bossi & Luiz Fernando”, o Grupo Soloveiko fez sua apresentação com danças ucranianas executadas pelos jovens e depois pelas crianças, recebendo calorosos aplausos da plateia. O salão estava repleto, bem como o entorno com muita gente alegre que veio se divertir e prestigiar a 60ª edição da Festa do Trigo.

As festividades continuaram até o entardecer com muita animação, música, serviço de cozinha, diversões e rifa do show de prêmios. Para celebrar estes 60 anos, a Comunidade da Colônia Marcelino colocou nesse show uma camionete Volks Amarok, no valor de 150 mil, o que também atraiu muitas pessoas, que vieram “brincar” com a sorte; mas o ganhador foi o Sr. José Pires, mais conhecido como Lole Pires, munícipe de Mandirituba. A tarde festiva teve a alegria aumentada com a apresentação do Grupo Folclórico Tchoven da Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de São José dos Pinhais.

À Santíssima Trindade, Padroeira da Paróquia – louvor e gratidão pelas 60 edições da Festa do Trigo, sempre bem conduzidas, organizadas e proveitosas; e que ela desça como bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo para que as futuras edições tenham sempre o mesmo teor!

Pascom da Metropolia