Passo Amarelo recebeu o Metropolita

Aos 29 setembro de 2018, sábado, na igreja Sagrado Coração de Jesus, em Passo Amarelo, Fazenda Rio Grande, às 14 horas, o Arcebispo Metropolita Dom Volodemer Koubetch reuniu-se com as lideranças da comunidade, assim representadas: Vigário Paroquial Pe. Teodoro Hanicz, OSBM, membros do Conselho Administrativo Paroquial, da Pastoral Catequética, Pastoral do Dízimo, Pastoral Litúrgica e alguns jovens. Durante a reunião foram tratados os seguintes assuntos: o Pe. Teodoro fez uma exposição histórica, como historiador e professor de Metodologia Científica, enfatizando o valor dos documentos (atas, crônicas, artigos, fotos, etc.), que são imprescindíveis para melhorar a história da própria comunidade que cultua o Rito Bizantino Ucraniano em suas celebrações litúrgicas e tradições. Ele disse que ainda tem muito a fazer, aprofundando as pesquisas na cidade de Prudentópolis, onde se encontra um rico acervo de documentos nos arquivos da Paróquia São Josafat, nos artigos do Jornal Pracia, e também na Matriz da Paróquia do Martim Afonso em Curitiba, pois os padres, desde a chegada no Brasil, se concentraram nestes locais. Mas para isso é necessário ter conhecimento da língua ucraniana e também muito tempo.

Solicitou-se para que os participantes da reunião fizessem uma breve apresentação sobre sua função e o que desenvolve em benefício da comunidade. O Pe. Teodoro falou sobre o relatório geral entregue ao Metropolita, realizado com a colaboração de todos e finalizado por ele mesmo. Trata-se de um documento sobre a vida social, pastoral e cultural desta comunidade, incluindo planos e projetos futuros. Atualmente, o principal projeto é construir as cúpulas da igreja. Foi enfatizada a grandiosidade do trabalho desenvolvido pelas pastorais nas pré-missões, indo de casa em casa, convidando e rezando junto às famílias. Foram visitadas 177 famílias ao todo, inclusive de evangélicos, preparando-as espiritualmente para uma participação mais proveitosa das Santas Missões, pregadas pelo missionário basiliano Pe. Gregório Hunka.

O Arcebispo enalteceu o trabalho da comunidade e sugeriu realizar o trabalho de pós-missões para dar continuidade à evangelização e à catequese. Estuda-se a possibilidade de melhorar a catequese, porque é sabido que se ministra uma catequese estritamente sacramentalista – de administração dos sacramentos sem a devida preparação e direcionamento mais amplo de vida cristã e eclesial. “É uma catequese exclusiva para a primeira comunhão, e não para a vida cristã, eclesial e comunitária”, como explicou o Metropolita. Ele expôs rapidamente os principais projetos pastorais da Metropolia, focalizando a implantação da Pastoral Familiar, a Pastoral do Dízimo, a Pastoral da Comunicação e a criação do Conselho de Leigos, aproveitando o embalo do Ano do Laicato. Em seu comentário conclusivo, Dom Volodemer disse que todos precisam buscar a Deus e viver a sua fé cristã, cada um em sua função, porém sempre “buscando a totalidade”, ou seja, o bem da comunidade, paróquia, eparquia, Igreja Católica Ucraniana.

A Catequista Rosane pediu a palavra e expôs sua agonia em relação à preservação da língua ucraniana nas celebrações da Divina Liturgia. O Arcebispo mencionou a dificuldade que é bastante comum em nossas comunidades, sendo muito difícil agradar a todos: quando se celebra em ucraniano, é bom para uns e complicado para os outros que não entendem; e o mesmo quando se celebra em português. Ele lembrou que a regra geral colocada pelas autoridades eclesiásticas católicas ucranianas é que, onde é necessário, a celebração litúrgica seja feita na língua que o povo entende (grego, ucraniano, russo, inglês, francês, espanhol, alemão, italiano, português, tupi-guarani), sempre respeitando a originalidade do Rito Bizantino Ucraniano. O Rito permanece o mesmo, mas é transmitido e praticado numa determinada língua; e isso não quer dizer que se faz latinização. Latinização é corromper o Rito, mudar o Rito, que também é uma questão cultural; porém é algo litúrgico-canônico e que não permite mudanças. Enquanto o idioma é uma questão estritamente cultural-linguística, que pode ser mudada, dependendo da situação concreta de cada comunidade. Porém, o quanto possível, respeitando as pessoas que dominam a língua e querem celebrações em ucraniano, preserve-se o idioma ucraniano, porque é uma riqueza cultural. Dom Volodemer recomendou que os membros da comunidade com seus líderes encontrem uma solução pacífica que agrade ambos os lados. Deve-se evitar maiores conflitos e deserções por causa do idioma.

O Arcebispo analisou ainda os principais livros documentais da comunidade que a Secretária Franciele Royka, a Rosane Starepravo e a Marilda Oliveira lhe apresentaram. Colocando o carimbo da Visita Canônica e a sua assinatura, ele sugeriu que se crie um arquivo para organizar os documentos tanto religiosos, como civis e contábeis: atas, registros de falecimento, relatório e balancetes financeiros em um mesmo lugar, facilitando o manuseio e a pesquisa. Finalizando o encontro, foi servido um delicioso café. Dom Volodemer foi para a Casa de Repouso para o pernoite.

No dia seguinte, domingo, 30, às 9 horas, a festividade iniciou com a recepção do Arcebispo Metropolita na entrada da igreja segundo a nossa tradição ucraniana: com saudações, pão e sal, cantos e entrega de flores pelos membros da comunidade. Com alegria, o Vigário Paroquial Teodoro convidou o ilustre visitante para animar os fiéis na fé e presidir a Divina Liturgia, orando pelas famílias e por todos. Vossa presença não somente honra, mas conforta, anima, fortalece e confirma o povo na fé. Esta Visita Canônica renova, restaura a comunidade, reafirma a tradição da nossa Igreja e injeta um novo dinamismo para caminhar e crescer na espiritualidade de ‘Comunidade viva’ transformada pelo encontro com Cristo vivo”, disse o Pe. Teodoro.

A Divina Liturgia foi cantada na língua ucraniana pelos cantores de nossa comunidade. Em sua homilia, Dom Volodemer agradeceu e reconheceu o progresso da comunidade, comparando-a a uma árvore que produz bons frutos, mas que também precisa de poda, “sempre dolorida”, a fim de que produza mais e melhor. Usando metáforas do mundo esportivo e profissional, ele insistiu bastante no esforço pessoal e comunitário para chegar à perfeição cristã, tendo como máximo exemplo o próprio Deus: “deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).

Após a sessão de fotos, num clima de alegria e amizade, todos foram convidados para o almoço de confraternização, preparado com carinho pela nossa comunidade em agradecimento à visita de Sua Excelência Reverendíssima Dom Volodemer Koubetch.

Texto e fotos: Franciele Royka