27ª Romaria Mariana

Antonio Olinto novamente foi palco de um dos eventos metropolitanos anuais mais importantes: a Romaria Mariana, este ano em sua 27ª edição. A devoção a Nossa Senhora é um elemento forte na espiritualidade do povo brasileiro em geral e, especialmente, do povo ucraniano. Sendo melhor organizada e mais divulgada, a Romaria realizada no domingo, dia 9 de dezembro, teve um número mais significativo de participantes. E os espaços desse palco antonio-olindense tiveram consideráveis melhorias: a igreja Matriz latina, construída num estilo arquitetônico mais condizente com um templo católico, está em fase de acabamento; o salão de eventos do Santuário tem piso novo, novos banheiros e churrasqueiras. Note-se que este ano, por decisão da comunidade local e bênção das autoridades superiores, a Romaria aconteceu, não no terceiro domingo de novembro, próximo à Festa da Apresentação de Nossa Senhora (21 de novembro), mas um dia após a data exata da Festa da Padroeira da Paróquia – Imaculada Conceição, que é 8 de dezembro. A mudança de data é uma ideia alimentada já há vários anos. Como se fez nos anos anteriores, o evento principal foi precedido pelos intensos preparativos materiais e espirituais.

Dia 06 – Quinta-feira. Às 19 horas, foi celebrada a Santa Missa e Novena a Nossa Senhora dos Corais com a participação da comunidade polonesa de São Mateus do Sul. A celebração no rito latino, com a parte inicial em polonês, foi presidida pelo Pe. João Francisco Sieklicki, Vigário Paroquial de São Mateus, e cantada pelo Coral do conhecido Grupo Folclórico Polonês Karolinka. O sacerdote e o coral foram saudados pelo Pároco Basílio Koubetch e pelo Arcebispo Metropolita Dom Volodemer.

Dia 07 – Sexta-feira. Durante o dia, o Pároco fez visita aos idosos e doentes.

Às 18h30min, as Capelinhas com o Ícone de Nossa Senhora dos Corais, em caminhões e até tratores, vinham sendo trazidas pelas comunidades pertencentes à Paróquia, concentrando-se primeiramente no portão de entrada ao pátio da igreja. Depois, em procissão, conduzidos pelo Pároco Basilio, os grupos foram entrando na igreja e se posicionando no corredor central. O catequizando Daniel Javorski cantou uma canção mariana em ucraniano. O Sr. Antônio Melnechenko fez uma explicação sobre o significado espiritual da peregrinação das Capelinhas aos lares. Ele lembrou que essa prática se repete há 10 anos e este ano contou com 10 delas, assim distribuídas, com suas respectivas zeladoras: grupos da cidade de Antonio Olinto: Terezinha Diadio, Doroti Komiak, Bernadete Romankiv, Vacilina Conrado; grupo da Campina: Terezinha Sanduim; grupo de Espigão – Campina: Valdemira Hupalo; grupo de Mico Magro: Elizete Kogelinski; grupo de Aliança: Lucia Melnechenko; grupo de São João: Lucia Senhuka; grupo de Santos Andrade: Eva Stavnitchyi. Enfatizou Antônio: “Cada grupo, acompanhado da pessoa responsável, a zeladora de cada Capelinha, tem um grande amor a Maria e observa nela aquela mulher pobre, casta, humilde e cheia do Espírito Santo. Ela permaneceu fidelíssima ao plano amoroso de Deus. Também nós, com Maria, queremos permanecer unidos a Cristo e sermos portadores da humanidade a Cristo. Temos que nos tornar instrumentos na mão da Imaculada, tal como a pena na mão do escritor, para que ela faça de nós o que lhe agradar. E, então, poderemos cantar como Maria: ‘O poderoso fez em mim maravilhas’”.

Em nome da comunidade, Antonio agradeceu às zeladoras pelo cuidado que elas têm em relação às Capelinhas e amor pelas famílias visitadas. Cada grupo foi anunciado e, apresentando seu ícone ao Arcebispo Metropolita, era abençoado e recebia a aspersão com água benta, depositando os ícones em pedestais próprios do lado direito e esquerdo do iconóstase.

Em seguida, foi celebrada a Divina Liturgia, toda cantada, presidida pelo Metropolita. O Pároco Basilio e o Diácono João Karpovicz concelebraram. Fazendo uma breve reflexão, Dom Volodemer disse que a devoção a Maria é uma fonte viva de benefícios, não só para o indivíduo, mas também para toda a sociedade, seja doméstica, civil ou religiosa. No que diz respeito à vida doméstica em particular, quatro palavras sintetizam as relações que ligam Maria Santíssima com a família cristã: Ela é a Rainha, o modelo, a ajuda e o ânimo. Nossa Senhora, como toda boa mãe, é o centro e o coração da Sagrada Família; por isso, Maria, também nos dias de hoje, deve continuar sendo a alma e o coração para todas as famílias que desejam permanecer unidas e ser santas como santa foi a casinha de Nazaré. Após a celebração litúrgica, foi rezado o “Moleben” a Nossa Senhora.

Dia 08 – Sábado. De manhazinha, em sua capela, celebrada pelo Pároco, as Irmãs Servas de Maria Imaculada tiveram a Divina Liturgia, durante a qual elas renovaram seus votos religiosos.

Às 09h30min, com a ajuda das religiosas, foi celebrado em português o Akathisto a Nossa Senhora, com a participação dos adolescentes do MEJ e das crianças da catequese de toda a Paróquia. Muitos pais estavam presentes. O Pároco dirigiu a celebração. Depois, ele fez a bênção e distribuiu escapulários. No salão de eventos, enquanto os voluntários continuavam com os preparativos, os mejistas e catequizandos serviram-se do lanche e foram presenteados pelo Papai Noel, que chegou de surpresa.

Ao entardecer, foi celebrada a Divina Liturgia na igreja. Com a concelebração do Pároco, Dom Volodemer presidiu e fez uma breve reflexão sobre como ser cristão nos dias de hoje, num contexto social de perseguição e guerra cultural contra a Igreja e o cristianismo, contemplando o exemplo de Maria Santíssima, sempre fiel, apesar da perseguição a seu Filho Jesus.

Durante o dia e também à noite, os paroquianos continuaram com os intensos preparativos para receber da melhor forma possível os romeiros que chegarão amanhã.

Dia 09 – Domingo. Seguiu-se praticamente a mesma programação do ano passado. A partir das 6 horas, os romeiros vinham chegando e foram recebidos pelos paroquianos latinos com um bom café da manhã e roda de chimarrão, uma cortesia dos Professores Homero e Maria, servido nas dependências da Paróquia São José.

Desde a manhã, os sacerdotes estavam disponíveis nos confessionários colocados em vários pontos para atender confissões. O serviço sacramental contou com a ajuda dos seguintes padres: Pe. Irineu Vaselkoski – Pároco de Mallet; Pe. Sérgio Baran Ivankio, OSBM – Superior do Convento de Ivaí; Pe. Antonio Nazarko, OSBM – Superior do Convento e Pároco de Iracema; Pe. Cristiano Silva, OSBM – Pároco da Catedral de Prudentópolis; Pe. Jaime Valus, OSBM – Pároco de Mafra; Pe. Daniel Horodeski – Pároco de Canoinhas; Pe. Juliano Rumoviski – Vigário Paroquial de União da Vitória; Pe. Emerson Spack, OSBM – Vigário Paroquial de Iracema; Pe. Ivo Komiak, OSBM – Vigário Paroquial da Paróquia São Josafat de Prudentópolis.

Pelas 8 horas, com a dinâmica e cantoria do grupo de jovens da Congregação Mariana da Paróquia da Catedral de Prudentópolis, deu-se início à procissão com o Ícone de Nossa Senhora dos Corais a partir da igreja matriz latina até o Santuário.

Perto das 10 horas, o Metropolita recebeu solenemente o Ícone e depois, com as demais autoridades e romeiros, foi saudado com pão e sal e um buquê de flores. O Sr. Antonio Melnechenko motivou a bela celebração, lembrando alguns fatos históricos ligados ao Santuário. “É um verdadeiro ato de piedade e gratidão à Mãe de Deus, que jamais abandonará os seus filhos amados desta localidade e de todas as partes do Brasil, pessoas que vêm pedir graças e agradecer as muitas graças recebidas. Nossa Senhora dos Corais é a Padroeira dos imigrantes ucranianos e seus descendentes no Brasil”, lembrou Melnechenko; e concluiu em oração: “Neste momento tão importante, aqui neste Santuário Nossa Senhora dos Corais, queremos rezar com o salmista: ‘Como são admiráveis as vossas obras, ó Senhor”. Os catequizandos e mejistas entoaram hinos marianos. Dois meninos cantores, Daniel Javorski e Felipe Melnechenko, cantaram uma bela canção ucraniana a Nossa Senhora.

Tomando a palavra, o Pároco Basilio também fez sua saudação, agradecendo por toda ajuda e colaboração tanto da parte dos fiéis locais quanto dos visitantes e cumprimentando as autoridades e os romeiros em geral. “O objetivo principal desta Romaria é a animação religiosa e espiritual. Convidamos todos a participar ativamente do programa de oração. Que cada um alcance as bênçãos e graças mais necessárias. Aproveitem a oportunidade de receber um renovado abraço de Deus e o perdão através do Sacramento da Reconciliação, pois, para isso, temos Padres atendendo confissões. Desejamos que todos levem para casa e para o local de trabalho o mais precioso dom da paz e do amor”, augurou o Reitor do Santuário.

Adentrando o Santuário, celebrou-se a Divina Liturgia Solene Pontifical, presidida pelo Metropolita e concelebrada pelo Pe. Superior Provincial Antonio Royk Sobrinho, OSBM, Pe. Basilio Koubetch – Reitor do Santuário, Pe. Arcenio Krefer, OSBM – Vigário Paroquial da Paróquia do Martim Afonso, com os serviços diaconais de Romeu Smach e Leomar Bukovski, OSBM e serviços acolitais dos Seminaristas diocesanos de Curitiba. Os Diáconos veteranos, João Karpovicz e João Basniak, acompanharam de perto a celebração. O coral da Comunidade de Marcelino, sob o comando de Nilo Baran, cantou muito bonito.

Em sua homilia, o Metropolita falou sobre Maria como uma mulher orante, seguindo a temática do Projeto Paróquia para este ano: “Liturgia e vida de oração”. Ele desenvolveu quatro aspectos da teologia e espiritualidade mariana: 1) Maria concebida pela força da oração; 2) Maria concebida sem pecado; 3) Maria formada pelo templo; 4) Maria mulher eucarística. A homilia foi concluída com as seguintes exortações: “Vamos nos deixar guiar em nossas vidas pela grande Mestra da santidade e da oração. Vamos encarnar sua espiritualidade de guardar profundamente em nossa cabeça e em nosso coração, por meio da liturgia, da oração, da contemplação e da leitura orante da Bíblia as coisas de Deus, as verdades eternas, os ensinamentos do Evangelho e do Reino de Deus”.

Às 14h30min, o grupo de jovens marianos de Prudentópolis, acompanhado pelo Pároco Cristiano, fez uma bela apresentação, lembrando a vinda dos primeiros padres ucranianos ao Brasil.

Às 15 horas, os fiéis que comparecem à Romaria com maior espírito de oração, se reuniram na Igreja Nossa Senhora dos Corais para a Novena a Nossa Senhora (Moleben), que também foi presidida pelo Metropolita e “puxada” pelos jovens marianos. Após a proclamação do Evangelho (Lc 1,39-45), comentando um pouco o tempo litúrgico do Advento na Igreja latina e da “Pelepiuka” (jejum de São Felipe) na Igreja oriental, Dom Volodemer destacou a relação e cooperação de Maria no mistério da redenção. A Santíssima Virgem Maria nos ensina a gerar Jesus Cristo em nosso coração; antes de acolher Jesus no próprio ventre, Ela O acolheu em seu coração. Somos convidados a gerar Jesus para o mundo. Nós também precisamos levar Jesus em nosso coração! Ele deseja nascer e ser acolhido em cada coração. Esse tempo alegre de preparação para o Natal é um momento privilegiado para que Cristo se desenvolva em nossos sentimentos, palavras e ações. Quando Maria visita Izabel, ela leva Jesus em seu ventre! Ela nos convida a levarmos Jesus para todos aqueles que encontramos no dia-a-dia, seja na família, no trabalho, no grupo de amigos, na comunidade, nas redes sociais e nos aplicativos de comunicação.

Rezada a novena, todos se dirigiram à gruta, onde se fez a bênção da água, dos romeiros e dos objetos religiosos. Foram enviados em missão a ser executada antes de tudo em suas próprias famílias, seguindo o exemplo da Santíssima Mãe de Deus.

A partir das 16 horas, houve a tarde recreativa com o Grupo Marcação, vindo de São Mateus do Sul.

Nossa Senhora dos Corais, rogai por nós!

Texto: Secretariado Metropolitano

Fotos: Ana Paula Ortiz de Camargo